Nesta fase da vida, todos os frequentadores já passavam dos 50 anos e a seletividade era a característica; o que faz lembram a “idade do homem comparada às características dos animais”. Tem a idade “macaco” em que ele só descasca banana; a idade “girafa” em que quer comer brotinho, urubu - come tudo que aparece; águia - escolhe o que vai comer.

Discutiam a propósito sobre o excesso de informações e o rigor que eles mesmos se exigiam na escolha do que ler. A seletividade no boteco era forte e, assim, nunca se desenvolveu uma conversa sobre colunas sociais, futricas políticas e notícias que só tinham interesse imediato; daquelas de efeito apenas imediato – efêmero. Desprezavam qualquer um que tocasse em um assunto que tivesse um caráter passageiro e que não pudesse ser motivo de reflexão sobre a vida. Interrompiam quem se atrevesse a exaltar algum personagem reconhecido como “aparecido”. Não eram elitistas de falas difíceis, pelo contrário, tinham grande afeição pela sabedoria popular, mesmo que repetida por pessoas de palavra simples. Tinham estampado no modelo mental da turma, um mote interessante: “Dize-me o que tu lês e te direi quem tu és”.

Estas conversas se transformaram em edições semanais do Mídia Literal, onde um jornalista - Porfírio Ventosa, um professor de português - Tibiriçá Ramalho e um “filósofo” contador de histórias – Praxedes Antunes fazem comentários e análises que, mesmo em clima descontraído, levam a reflexões.

 

 

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